No Brasil dos anos 1960, o ambiente cultural estava dominado pelo ideário da Semana de Arte Moderna de 1922 — que Tolentino nunca aceitou. Para ele, o modernismo paulista havia feito o inverso do que prometia: em vez de renovar a língua, havia empobrecido a poesia brasileira, cortando-a de sua raiz mais profunda— a tradição poética do Ocidente.
A ruptura era inevitável.
Na virada dos anos 1960, Tolentino deixa o Brasil. Não por perseguição política — mas por convicção intelectual. Vai para a Europa. Fica trinta anos.
Passa por Oxford e Bristol. Convive com os grandes da poesia anglófona. É nesse período que W. H. Auden, um dos maiores poetas do século XX, o elogia pessoalmente. Que Saint-John Perse, Nobel de Literatura, reconhece seu trabalho. Que Tolentino encontra, na tradição europeia — de Dante a Eliot, de Camões a Yeats —, o que a literatura brasileira de seu tempo tinha decidido rejeitar.
Publica na Europa. Escreve. Amadurece.
Rimbaud abandonou a poesia aos 19 anos e foi para a África. Tolentino não abandonou a poesia — mas também não passou trinta anos na Europa apenas em bibliotecas.
Em determinado momento, foi preso na penitenciária de Dartmoor, na Inglaterra, por tráfico de drogas. Dentro da prisão, fez o que sempre soube fazer: tornou-se o poliglota da cadeia — traduzindo, intermediando, ajudando outros detentos a se defender nos interrogatórios.
Foi na cela que teve visões da Virgem Maria. E foi na cela que escreveu o que se tornaria “A Balada do Cárcere”.
Em 1992, voltou ao Brasil deportado. Com uma obra na bagagem que o país ainda não sabia como receber.
O Brasil não estava preparado para ele.
Com a mesma franqueza de sempre, Tolentino retomou o debate cultural brasileiro onde havia parado. Publicou ensaios incendiários. Deu entrevistas que provocavam. Apareceu nas Páginas Amarelas da Veja. Arnaldo Jabor escreveu sobre ele. A televisão o chamou — e quem assistia ficava perturbado, no bom sentido.
O establishment literário reagiu. Um abaixo-assinado de intelectuais circulou contra ele. A polêmica foi manchete. Mas os livros continuaram sendo lidos.
Três Prêmios Jabuti. O último, póstumo — entregue depois que Tolentino morreu, em 27 de junho de 2007, sem ver publicada a edição completa de sua obra.

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